• Campo - um podcast de antropologia

EP#1.5 - bell hooks

Atualizado: Fev 15


Wolcott, Marion Post, photographer. Hanging burley tobacco in the barn to dry and cure. On Russell Spear's farm near Lexington, Kentucky. Lexington. United States Kentucky Fayette County Lexington, 1940. Sept. Photograph. https://www.loc.gov/item/2017804745/

Reivindicação e Reconciliação


Paula Lacerda, professora de Antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Carolina Parreiras, pesquisadora de pós-doutorado do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)


Nascida no sul norte-americano, mais precisamente no estado do Kentucky, bell hooks apresenta memórias da infância e juventude nas fazendas da sua terra natal no capítulo “Reclamation and Reconciliation” [Reivindicação e Reconciliação] da obra belonging – a culture of place”, publicada em 2009. As memórias da autora e a biografia de seus avós e bisavós são entremeadas por dados estatísticos e históricos sobre demografia, economia e política que evidenciam a contribuição de fazendeiros e fazendeiras negros/as para a história da região, uma parte central da própria história dos Estados Unidos.


Nesse trabalho, os sentidos de reivindicação e reconciliação são muito próprios, afetivos, relacionados a elementos que marcam outros momentos da obra da autora como o reconhecimento inegociável da agência das pessoas negras. Para hooks, os interesses de uma supremacia branca patriarcal e imperialista pretendem manter apagadas as contribuições das trabalhadoras e trabalhadores rurais negras/os, circunscrevendo-os/as em imagens de preguiçosos e improdutivos. No entanto, mesmo entre as pessoas negras, essas figuras que habitam um passado agrário, supostamente desaparecido, não foram suficientemente reconhecidas como exemplos de autodeterminação e trabalho persistente. Fazendeiros/as negros/as, para hooks, construíram uma verdadeira “cultura do pertencimento”, que se expressa em memórias afetivas que passam por cheiros, gostos, imagens de quintais com flores, mas também em práticas de resistências que foram responsáveis por manter o senso de coletividade e união entre as pessoas negras, mesmo quando elas deixam o sul norte-americano, como foi o caso de hooks.


Nesse trabalho, a proposta da autora de “amar a negritude” – “we are more than our pain” - representa uma forma de reconciliação com um passado cujas dificuldades não são negadas, mas também não podem apagar um histórico de resistência e de produção de um senso de coletividade e de pertencimento. O “retorno à terra natal” é construído por bell hooks tanto no sentido literal quanto no sentido metafórico. Em ambos sentidos, é o que pode produzir a reconciliação.


Como citar esse post [ISO690/2010]:

LACERDA, P. e PARREIRAS, C. bell hooks: Reivindicação e Reconciliação [online]. CAMPO - um podcast de antropologia, 2021 [visto em .....]. Disponível em: https://www.podcastdeantropologia.com.br/post/ep-1-5-bell-hooks


Referências:


hooks, bell. “Intelectuais Negras”. Revista de Estudos Feministas, 3 (2), 1995. Pp. 464-478.


hooks, bell. belonging – a culture of place. New York: Routledge, 2009.


hooks, bell. ain’t i a woman – black women and feminism. New York: Routledge, 2015.


hooks, bell. Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2017.


hooks, bell. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.


hooks, bell. O feminismo é para todo mundo – políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.



Créditos:

Pesquisa, produção e apresentação: Paula Lacerda

Produção, edição e montagem: Carol Parreiras

Vinheta de abertura e fechamento: carloscarty, disponível sob licença [CC] em looperman.com


Acesse abaixo a transcrição deste episódio.


transcrição_bell_hooks
.pdf
Download PDF • 116KB

103 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo