• Campo - um podcast de antropologia

EP#1.6 - Gloria Anzaldúa

Atualizado: Fev 15


Butler Banner, NYC, 2019. Por Carol Parreiras

Gloria Anzaldúa e a condição de autoras de mulheres do terceiro mundo


Paula Lacerda, professora de Antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Carolina Parreiras, pesquisadora de pós-doutorado do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)


A primeira imagem que ilustra esta postagem mostra um evento, denominado Butler Banner, que ocorreu entre outubro e dezembro de 2019 na Butler Library da Columbia University (Nova Iorque).

Este evento tinha como centro a exibição de um banner alternativo composto por escritoras, em contraposição à fachada original, que carrega os nomes apenas de autores. A iniciativa do Butler Banner partiu de estudantes da universidade, com o objetivo de chamar a atenção para a representatividade de mulheres na universidade, nos arquivos e nos acervos. E para os muitos silenciamentos, não apenas os arquitetônicos.

Acompanhava a exposição do banner uma mostra com fotos e dados biográficos de cada uma das autoras apresentadas. Gloria Anzaldua era uma dessas autoras (as outras eram: Toni Morrison, Diana Chang, Zora Neale Hurston, Ntozake Shange, Maya Angelou, Silko e A. Revathi).

Mais informações podem ser acessadas no site do projeto.


Moraga, Cherríe & Anzaldúa, Gloria. “Introduction”. In.: _____ (Eds). This bridge called me back: writings by radical women of color. Waterton, Mass: Persephone Press, 1981. Pp. Xxv.

"Time and Money” é um dos tópicos que compõem a introdução da obra "The bridge called me back: writings by radical women of color”, editada por Cherríe Moraga e Gloria Anzaldúa, em 1981. Nesse tópico, as autoras explicitam o contexto de falta de tempo e de financiamento público para a publicação do livro, custeado por elas próprias e publicado com relativa rapidez, especialmente se considerarmos o contexto do mercado editorial dos anos 80, mesmo nos Estados Unidos. Dizem as autoras que foram dois anos entre a ideia do livro e a publicação dos trabalhos. Tratando-se de uma obra que reúne nada menos que 49 textos de mais de 30 autoras diferentes, é possível apenas mensurar a quantidade de trabalho envolvido!


A dificuldade material enfrentada por mulheres escritoras foi um dos temas abordados no conhecido ensaio de Virginia Woolf em “Um teto todo seu”, de 1929. Nesse trabalho, a autora britânica aponta que além dos desafios educacionais enfrentados pelas mulheres do início do século XX, seria preciso vencer uma barreira imposta pela própria ausência de referências no que se refere à própria possibilidade de expor subjetividades femininas em um mundo marcado pela escrita dos homens.


Gloria Anzaldúa, bell hooks, Audre Lorde, não por acaso, são mulheres de cor e escritoras que refletem criticamente sobre as dificuldades de se “tornar escritoras”. Essas dificuldades não são apenas aquelas enfrentadas em virtude das desigualdades do sistema educacional, mas também são aquelas geradas por expectativas morais de que mulheres e, especialmente, mulheres de cor, devam ser responsáveis pelos cuidados com os outros, com a casa, com a família. A perspectiva “radical” que encontramos nos diferentes capítulos que compõe a obra de Cherríe Moraga e Gloria Anzaldúa, nesse sentido, pode ser também interpretada como o compromisso político com a transformação social do universo literário da época, estimulando e consolidando ativamente a posição de escritoras e autoras entre mulheres chicanas, lésbicas, latinas, trabalhadoras.


A poesia "To live in the borderlands means you", apresentada no episódio pode ser acessada em inglês, espanhol e português.


Como citar esse post [ISO690/2010]:

LACERDA, P. e PARREIRAS, C. Gloria Anzaldúa e a condição de autoras de mulheres do terceiro mundo[online]. CAMPO - um podcast de antropologia, 2021 [visto em .....]. Disponível em: https://www.podcastdeantropologia.com.br/post/ep-1-6-gloria-anzaldúa


Referências:


Conversando com Gloria Anzaldúa, Canal Ana Enne Grecos no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=YnkjBZFliA8&t=10s


Anzaldúa, Gloria. Borderlands/La Frontera: the new mestiza. San Francisco: Aunt Lute Books, 1987.


Anzaldúa, Gloria. (Ed.) Making Face, Making Soul (haciendo caras): creative and critical perspectives by feminists of color. San Francisco: Aunt Lute Books, 1990.


Costa, Claudia de Lima; Ávila, Eliana. Gloria Anzaldúa, a consciência mestiça e o "feminismo da diferença". Revista de Estudos Feministas, vol.13 no.3, Florianópolis Sept./Dec. 2005. Disponível via: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2005000300014


Keating, AnaLouise. (Ed). EntreMundos/AmongWorlds: news perspectives on Gloria Anzaldúa. New York: Palgrave Macmillan, 2005.


Keating, AnaLouise. (Ed). Gloria Anzaldúa Reader. Durham and London: Duke University Press, 2009.


Moraga, Cherríe; Anzaldúa, Gloria. (Ed.) This bridge called my back: writings by radical women of color. Waterton, Mass: Persephone Press, 1981.



Créditos:


Concepção, pesquisa e apresentação: Paula Lacerda

Edição, montagem e pesquisa: Carol Parreiras

Locução das poesias: Carol Parreiras (inglês), Andrea Lacombe (espanhol) e Rita Santos (português)

Vinheta de transição: autoria de harri, com pequena adaptação para o ep., disponível sob licença [CC], em freesound.org

Vinheta de abertura e encerramento: carloscarty, disponível sob licença [CC] em looperman.com


Acesse abaixo a transcrição deste episódio.


Arquivo_base_Anzaldúa6
.pdf
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